Ontem li no Público:"Petição online contra medidas de higiéne da ASAE já reuniu mais de mil assinaturas". Hhhhuuummm, ou muito me engano ou cheira-me que os promotores desta iniciativa se vão arrepender de a ter levado a cabo, no momento em que lhes aparecer um cabelão na sopa, ou uma varejeira no bife.
E digo isto do alto da minha lambarice por tudo quanto sejam petiscos tradicionais portugueses, que não têm o mesmo sabor se não forem mexidos com a colher de pau, amassados com as mãos ou levados ao lume em panelas de ferro.
Mas a minha lambarice também gosta de não encontrar talheres e pratos sujos, cozinhas com baratas e produtos mal conservados.
Não nos podemos esquecer que a ASAE não introduz medidas. A ASAE actua ao abrigo de uma lei, e o seu papel é o de fiscalizar o cumprimento das leis que regulam o sector das actividades económicas e, nos casos de incumprimento, sancionar os prevaricadores. Mas toda esta actuação é alicerçada num pressuposto: a protecção do consumidor. E consumidores somos todos nós!
Se as leis, que neste âmbito resultam fundamentalmente de directivas comunitárias, impõe determinadas regras, é porque concerteza se basearam nas realidades que foram sendo observadas ao longo dos tempos. E se calhar essas mesmas realidades, que é como quem diz, os comportamentos da maioria dos agentes das actividades económicas, impulsionaram a necessidade de regras apertadas, rigor e fiscalização eficaz!
Se calhar o que despoletou este exagero de se proibir a comercialização de castanhas em papel de jornal, a proibição da utilização de colheres de pau nas cozinhas dos restaurantes, os bules descartáveis para servir o chá, o café só poder ser servido em copos de plástico, a periodicidade rigorosa na desinfestação dos espaços, a obrigatoriedade de contabilidade organizada, etc, etc, etc, terão sido precisamente as reticências dos agentes em não cumprirem o básico das regras de higiéne, de conservação dos alimentos, de limpeza dos utensílios de cozinha, de transparência nos dados respeitantes à facturação...
Há exageros?óbvio que sim.
Paga o justo pelo pecador?não tenho a menor dúvida.
Mas uma coisa é certa, anda tudo a limpar os camadões de gordura nas cozinhas dos restaurantes, a consertar as câmaras frigorificas que estavam avariadas há anos, a por fora as latas de conserva com validade até 2005,a limpar o chão do café como já não faziam há um ano, a contratar empresas de desinfestação, a pôr de lado as colheres de pau que já deitavam farpas para a comida, a obrigar os cozinheiros a usar touca de protecção, a instalar zonas de higienização do pessoal nas cozinhas, a declarar toda a facturação dos estabelecimentos....e porquê?não é pelo consumidor, não. É porque têm medo de uma inspecção da ASAE!
E só por isto vale a pena aguentar os exageros desta entidade. Porque só com ela nós, consumidores, podemos estar (um pouco) mais descansados em relação à higiéne e segurança alimentar.
E vamos reclamar contra ela?não me parece o mais sensato. Ainda que reconheça que há algum exagero na aplicação da lei, e que as próprias leis não tomem em conta muitas vezes certos ritos gastronómicos da cozinha portuguesa.Mas este é um campo onde, parece-me a mim, mais vale pecar por excesso do que por defeito.
Se para beber um café tiver que aguentar as marcas de batom na chávena, venha ele em copinho de plástico...
Se para ter um arroz de marisco sem cabelos, tiver de olhar para a cozinha do restaurante e pensar que estou numa enfermaria, venham as toucas...
Se para ter a certeza que quem me faz a sandes não a faz com as maozinhas limpas, venham as luvas...
mudam-se os tempos.......................
Lara
1 comentário:
Mau! Querem lá ver agora que a "Sôdotora" Lara está a ter mais um ataque de provérbios???
E eu concordo contigo, petiscada sim, mas limpinha!
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