"O Eurostat, gabinete de estatística da União Europeia, lançou ontem o pânico entre os governantes portugueses ao anunciar que a taxa de desemprego em Outubro era de 8,5 por cento, colocando assim o nosso país no terceiro lugar entre os 27 Estados da UE"
"Segundo os números do terceiro trimestre divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), 64 700 portugueses com formação académica superior estavam no desemprego no final de Setembro. Mais 10 700 sem trabalho do que no mesmo mês de 2006 e mais 14 mil do que no trimestre que findou em Junho."
Pois é, nem sempre a vida tem as mil e uma cores das frutas do mercado municipal. De facto, e para os jovens licenciados, ela é cada vez mais pintada de preto e branco.
O Eurostat veio somente ancorar em números e dados estatísticos, aquilo que todos nós sabemos.
Isto 'tá mau. Muito mau mesmo.
Infelizmente todos nós temos sentido na pele as dificuldades de entrada no mercado de trabalho.
Os sectores que há uns anos eram as bóias de salvação da maioria dos jovens licenciados, hoje deixaram de o ser. A função pública a rebentar pelas costuras, o investimento privado a escassear no nosso país. E nós a inundar os centros de emprego, e a ajudar às miseráveis estatisticas que o Eurostat ontem revelou.
E porquê??há inúmeras razões para este estado de coisas.
Razões politicas, sociais e económicas.
Mas há um facto que está na base detudo: não há mercado para absorver tanta mão de obra qualificada.
Acho sinceramente que a nossa geração foi, e está a ser, o alter ego de uma outra geração, que passou por negações extremas, e que toda a vida lutou para que a vida dos seus filhos fosse diferente. Uma geração para a qual um curso é sinómimo do que de melhor um pai pode dar a um filho, igual a uma herança patrimonial choruda. De que um curso é o culminar de um processo educativo de sucesso e a antecâmara de um belo projecto familiar. De que um curso é a ferramenta mais apta para cavar o futuro...
Mas a "crise" trocou as voltas aos nossos progenitores. E em vez nos ajudar a sair de casa deles, retem-nos lá até aos trinta e muitos...
Um pressuposto que à partida não poderia estar mais correcto, acabou por ser abortado por retenções de défices, crises, liberalismo económico, leis laborais pró-empregadores, socialismo ficcionado e justiça social nula...
E a nós só nos resta esperar por aquele emprego que nos vai finalmente deixar pôr em prática tudo aquilo que aprendemos. Enquanto assistimos a mais e mais cursos a abrir ano lectivo após anos lectivo, mais e mais finalistas, nos cortejos da queima das fitas, mais e mais cursos que servem para coisa nenhuma,mais e mais licenciados inscritos nos centros de emprego, mais e mais pontos percentuais nas estatísticas do Eurostat.
Lara
1 comentário:
Hum... é quarta-feira... quase seis da tarde e nada de post!! Menina Lara, Cumé qui é a nossa vida???? :)
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