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terça-feira, 11 de dezembro de 2007

mal entendido

Estava eu ontem a tratar do meu jantarito, e a ouvir as notícias da noite, assim para me distrair e tornar a tarefa um pouco mais leve, 'tão a ver?quando começo a ouvir uma notícia que me fez largar a colher de pau, jogar o pano para o chão e salgar a comida. "mota de alta cilindrada choca com triciclo"...AAAAAAAAAIIIIIIII que desgraça!um triciclo...uma criança...como é possível?...uma mota tão gran...coitadinha...e aqueles pais? devem estar completamente destroçados, meu Deus...aaaaaiiiii...e no pensa não pensa e no dá uma mexidela na comida,não dá uma mexidela na comida, fui a correr para a sala, movida por aquela coisa estúpida que eu tanto critíco e que se chama curiosidade mórbida.
Lá me sentei eu na bordinha do sofá, pescoço inclinado para frente, olhito arregalado e a temer o pior.
Começa a reportagem propriamente dita...
Mas...mas... onde é que está o triciclo???eu não vejo triciclo nenhum?...dois homens?...e a criança?...mas ninguém fala em criança nehuma?
Pára. Pára e ouve, Lara.
E ouvi, deixando a a razão sobrepor-se à emoção.
O triciclo não era um triciclo. Ou melhor, não era uma coisa daquelas à qual eu sempre chamei triciclo.
O triciclo a que o jornalista se referia era uma daquelas carripanas que os velhotes conduzem, a que se costuma chamar um "pápa reformas".
Não havia criança nenhuma. A minha imaginação fértil é que discorreu em catadupa, e ao assumir que um triciclo era um triciclo tratou logo de encavalitar uma criança em cima dele.
Viva o rigor jornalístico de chamar as coisas pelos nomes!
Raios, por causa do triciclo que não era um triciclo mas que era um "pápa reformas" queimou-se-me o jantar.

Lara

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